
Esperar pode ser uma bênção ou um pesadelo. Pode ser uma oportunidade para descansar ou um meio de se ganhar uma lesão, se descansamos do jeito errado. Pode ser o palco de toda a minha limitação e impotência, ou de Deus demonstrar fidelidade.
Todavia, temo que o Mestre se demore em vir ao meu socorro, e que neste intermeio todos os meus "Lázaros" faleçam. É muita a frustração que sofremos decorrente de promessas divinas que interpretamos e encaixotamos em nossos próprios modos, tempos e mundos. Por isso conhecemos a desesperança, a mágoa descabida e o antigo senso de auto-piedade, que parece ser tão profundo - sendo tão artificial!
Ele, porém, não é escravo de meu relógio, nem servo de meus calendários. Ama-me tanto que está decidido a mostrar-me Sua glória, e por esta causa meu relógio e calendários registram Seu "atraso". Logo meus sonhos perecem, e com eles a esperança do milagre que imaginei. Onde está o Mestre? Não aparece para o enterro, embora o que foi sepultado lhe seja reconhecidamente conhecido.
Em Seu perfeito tempo, Ele surge e ali podemos vê-lo a chorar, não por remorso ou limitação, mas principalmente por ver o nosso abundante lamento proveniente da falta de fé. "Eu Sou a ressurreição e a vida", Ele revela; "Sim, Senhor, mas o morto cheira mal!", queixo-me eu. E mesmo indignadamente submisso, movo a pedra. Ele, com Sua grande voz, chama para fora o que morrera, clamando para que volte aos Seus braços o que sempre amou - não só meus sonhos, mas toda a nossa familia, há vários dias sem a vida.
E só então percebo que não preciso de explicações, pois sou incapaz de lidar com elas e indigno de recebê-las. No fundo (da cova) e ao longo do Caminho, o que preciso mesmo é de Sua companhia, é ter Seus braços em torno de meus ombros machucados pelos fardos desproporcionais e desnecessários que tenho carregado. O que careço é que o Caminho caminhe comigo, para que assim, durante a subida deste íngreme Calvário, eu já não reclame do pouco que deu-me a levar, mas agradeça o muito que já levou por me amar...
Ah, meu Senhor! Em Ti está minha delícia! E se caí enfermo e fui enterrado, é a Tua voz que hoje ouço, é para o Teu seio que hoje corro, é em Teus braços que hoje me lanço! Em ninguém mais sou assim sincero, amado e aquietado de satisfação - somente em Ti, Ressurreição do que me faliu, e Vida para o que em mim Te é amigo!
E quanto mais por Ti espero, mais glória me revelas... pois assim como a cruz é maior que o tempo, assim a glória supera a espera - eternamente, como eterno é o fruto da cruz!