O que você quer ser quando crescer? Não sei. Cresci, e continuo sem resposta. Que quero ser, agora que cresci? Curiosamente, uma criança! Quando eu era pequeno, queria ser grande; hoje, grande, sinto saudade de ser pequeno. O tempo passou, mas algo em nossa alma deseja ser criança, a criança feliz e simples, deslumbrada com a vida e espontânea de coração. A criança pequena que descansa no Deus imenso. Porque é na alma infantil que Deus se mostra maior. Ele cresce em quem admite ser menor. E Deus crescer em nós verdadeiramente define quem somos e seremos.
Logo, a pergunta que deveríamos fazer é: O que você quer ser quando Ele crescer? Pois, primeiramente, só seremos de verdade se Deus crescer em nós. Quando Ele cresce, ninguém mais continua grande. Isso significa, então, que serei diminuído? Não. Minha ilusão de grandeza, sem dúvida, explodirá como uma bolha de sabão; mas nesta hora, me descobrirei o pequeno que sempre fui. Quando Deus cresce no homem, a humildade entra, e com ela vem a paz. Assim, logo sou pequeno de novo, pequeno como sempre, criança como era, feliz como jamais! Para acessar minha nova e melhor infância, necessito da chave da humildade - a humildade que, paradoxalmente, é a principal marca de gente crescida de verdade.
Toda criança precisa crescer e tornar-se um adulto. Todo adulto, diminuir e tornar-se criança. O evangelho é realmente uma loucura. Contudo, Deus, o Deus-menino, o Deus-homem, é quem mostra tudo isso ser possível, até mesmo a sabedoria na loucura. Eu quero ser criança novamente. Por isso, quando procuro o grandioso e humilde Mestre galileu, encho-me de alegria quando ouço-o a dizer: "Você precisa nascer de novo!". E em Seus olhos, sei que Ele dá-me esse poder, o poder de descomplicar e de recomeçar do zero, o dom extraordinário de recuperar o que um dia o tempo levou.
Há dois mil anos, João Batista, aquele polêmico santo que perdeu a cabeça, tinha razão quando afirmou: "Importa que Ele cresça e que eu diminua!". Jesus, mais tarde, afirmou o grande homem que foi João. Hoje, estamos eu e você aqui... e o que vamos ser quando Ele crescer?
Crianças, é claro!
quinta-feira, 18 de julho de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
Pressionado ou Impressionado
Marta e Maria na vila de Betânia, há 2.000 anos. Marta recebe Jesus em sua casa, mas só Maria se assenta aos pés do Mestre para ouvi-lo. Marta quer impressioná-lo com suas obras e desempenho, mas Maria é muito diferente, é bem mais simples. Maria não quer impressioná-lo, quer simplesmente dar-lhe atenção e ouvi-lo - e por isso fica impressionada. Maria só quer uma coisa, e essa simplicidade é poderosa.
Nós, porém, como Marta, achamos ser suficiente convidar Jesus para entrar, mas depois não lhe damos a atenção merecida. Devido ao ritmo frenético de nossas tarefas infindáveis, iludidos pelo hiperativismo global, cujo maior pecado é não sermos escravos do trabalho, achamos que quanto mais fizermos e tivermos, mais nossa ansiedade selvagem será dominada, e nossas preocupações controladas. Contudo, isso é tentar apagar fogo com gasolina. Para não ficarmos mais preocupados, nos preocupamos mais um pouco. O preço para se apagar a ansiedade é mais caro do que o prejuízo causado por ela - e, além disso, é um remédio ineficaz.
Marta, Marta! Você tem trabalhado tanto, você quer ser impressionante! Mas veja o resultado disso: sua alma está cheia de ansiedade e preocupada com muitas coisas! Você tem muitos focos, sua mente é um carrossel absurdo de obrigações, movido por seus medos e orgulhos. Seu coração está em muitas coisas, mas ao fim coisa nenhuma está em seu coração! Quer mostrar para Deus e todos à sua volta que tudo está bem organizado, mas isso compromete sua percepção de que Aquele que um dia foi recebido por você está esquecido dentro de seu lar.
Maria, no entanto, escolhe a boa parte. Seu coração é um coração de uma só coisa. Existem as demais coisas, mas primeiro existe o Reino de Deus e a sua justiça, cujo Rei recebe a prioridade. Tudo que Marta tem e faz um dia lhe será tirado; o maior sucesso na vida não evitará que a sepultura lhe arranque tudo. Mas o que Maria escolhe entra com ela na eternidade. As pessoas mais impressionantes que já viveram no mundo não foram as que mais impressionaram, mas as que assentaram-se aos pés de Cristo e foram mais impressionadas por Ele! Portanto, que nada nesta vida nos faça abandonar Aquele que entrou em nosso coração a convite nosso.
Nós, porém, como Marta, achamos ser suficiente convidar Jesus para entrar, mas depois não lhe damos a atenção merecida. Devido ao ritmo frenético de nossas tarefas infindáveis, iludidos pelo hiperativismo global, cujo maior pecado é não sermos escravos do trabalho, achamos que quanto mais fizermos e tivermos, mais nossa ansiedade selvagem será dominada, e nossas preocupações controladas. Contudo, isso é tentar apagar fogo com gasolina. Para não ficarmos mais preocupados, nos preocupamos mais um pouco. O preço para se apagar a ansiedade é mais caro do que o prejuízo causado por ela - e, além disso, é um remédio ineficaz.
Marta, Marta! Você tem trabalhado tanto, você quer ser impressionante! Mas veja o resultado disso: sua alma está cheia de ansiedade e preocupada com muitas coisas! Você tem muitos focos, sua mente é um carrossel absurdo de obrigações, movido por seus medos e orgulhos. Seu coração está em muitas coisas, mas ao fim coisa nenhuma está em seu coração! Quer mostrar para Deus e todos à sua volta que tudo está bem organizado, mas isso compromete sua percepção de que Aquele que um dia foi recebido por você está esquecido dentro de seu lar.
Maria, no entanto, escolhe a boa parte. Seu coração é um coração de uma só coisa. Existem as demais coisas, mas primeiro existe o Reino de Deus e a sua justiça, cujo Rei recebe a prioridade. Tudo que Marta tem e faz um dia lhe será tirado; o maior sucesso na vida não evitará que a sepultura lhe arranque tudo. Mas o que Maria escolhe entra com ela na eternidade. As pessoas mais impressionantes que já viveram no mundo não foram as que mais impressionaram, mas as que assentaram-se aos pés de Cristo e foram mais impressionadas por Ele! Portanto, que nada nesta vida nos faça abandonar Aquele que entrou em nosso coração a convite nosso.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Sem palavras, com amor
Meu
pai,
Tem
fases que nem sei o que dizer. Em dias assim, lembro-me da cena em
que o filho pródigo encontra seu bom pai – ou, na verdade, é por
este encontrado, no caminho de regresso para casa. Imagino o filho
aparecendo no horizonte, mancando e arruinado, cheirando mal e
desfigurado, mil explicações fervilhando, detalhes e propostas na
ponta da língua. Mas quando vê o pai correr em sua direção, vindo
para levá-lo de volta para onde sua vida nascera e para onde sempre
fora destinada a viver, ele esquece de todo o discurso ensaiado à
exaustão. O amor desse pai é tão grande que as palavras desse
filho se demitem. A graça é graça quando é
tanta graça que deixa a gente assim, meio sem graça – mas com todo o
resto.
Não
que eu seja um pródigo literal neste momento. Mas sempre que te
vejo vindo para mim, Pai, é como estar voltando para casa. Pois foi
em você que eu realmente nasci, e é somente em você que estou
destinado a viver todos os meus dias. Fora de ti eu preciso me valer,
e quanto mais fartura ostento, mais miserável vou me tornando. Em
você, porém, é muito diferente. Contigo não preciso
impressionar, mesmo porque minhas explicações não funcionam. Não
preciso de estrelas douradas reluzindo em meu peito, para chamar sua
atenção. Porque você é chocante. Você me aceita sem banho
tomado, sem perfume caro. Você me abraça sem roupa de marca, sem
dinheiro e sem saúde. Você me aceita até sem roupa! De uma maneira
que desisti de entender, você parece determinado a me querer. Você
me quer, mesmo eu não tendo um bom currículo e estando fora de
forma. Você me quer antes mesmo de eu ter escovado os dentes ou
lustrado meu caráter meia-sola. E porque você me ama incisivamente
eu fico assim, sem palavras, neste pedaço de caminho, e pareço
apenas saber chorar. Descubro que, no fundo, é uma boba ilusão eu
achar que algum dia terei algo de bom para lhe oferecer, quando nos
encontrarmos. E se ainda sou teimoso nisso e me iludo com religião
ou com a admiração ou a pena de mim mesmo, você vem e me purifica
de tudo, de tudo, para então eu, vazio de discursos, ter condições de
receber mais decentemente o teu amor.
Eu
te amo! Porque de um modo louco, a minha falência diante de ti
tornou-se o maior sinal da prosperidade do teu amor sobre mim! Soa
estranho, mas é verdade. Está vendo como eu sou de complicar as
coisas belas de serem admiradas e aproveitadas? Mas que este
amontoado de letras te beije. Teu maior milagre é me querer de um
jeito que torna impossível eu não te querer de todo jeito.
Vou
para o Caminho e você aparece no horizonte. Logo me calo, e aprendo
a ser amado. O amor desse pai é tão grande que as palavras deste
filho se demitem.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
A Cruz e a União
No mundo todo, quem vai a um cemitério pode constatar que a cruz é o símbolo do luto e da separação - é o símbolo da morte. Se você vai à Bíblia, porém, vê exatamente o contrário. É verdade, a cruz da Bíblia é triste, cruel e sangrenta. Dolorosa mesmo, mortífera, impiedosa. Fisicamente ela destruiu, moeu, sufocou e perfurou o corpo e a alma mais inocentes que já passaram na terra. Contudo, foi precisa e unicamente por esse sacrifício que recebemos a redenção e a alegria. Para o cristão, portanto, não existe símbolo que represente maior felicidade do que a cruz de Cristo. Para nós é o símbolo da vida!
No mundo todo, a morte sempre causa separação. A morte separa os maiores amantes, os maiores amigos, as pessoas mais unidas. Mesmo o casamento, a maior união existente entre duas pessoas, dura somente até que a morte os separe. Se você medita sobre a morte ocorrida no Calvário, porém, vê exatamente o contrário. Pois o sacrifício de Jesus de Nazaré foi a única morte que trouxe união. De fato, nós estávamos terrivelmente separados - de Deus e uns dos outros - até que a Sua morte nos uniu! Com Sua cruz, Cristo fez com que a morte mudasse de trabalho. Agora, sua principal tarefa não é mais causar separação, mas, ao tocar cristãos, uni-los definitivamente com Aquele que por Sua morte os uniu à Sua vida!
Infelizmente, estamos esquecendo essas simples verdades. Nosso cristianismo está perdendo a cruz, ficou luxuoso demais, tão polido que perdeu o brilho. Diferentes de nosso Mestre, não queremos mais tomar nossa cruz, e por isso estamos nos desunindo - Dele e uns dos outros. Evitamos qualquer coisa que nos cause desconforto, que não venha já pronta e seja imediatamente confortável, e assim estamos perdendo os relacionamentos. Jesus ensinou no Calvário que se não há sofrimento não há união. Para não haver separação entre nós, precisamos tomar a cruz e morrer um pouquinho todo dia, sacrificar e renunciar nosso ego como centro da vida. Sem cruz não há comunhão, e sem comunhão a vida não faz sentido. Aquela cruz é sinal de dor, sim, mas é também sinal de soma.
E no mundo todo, se não existe essa cruz no coração, aí sim é sinal de muito luto e separação.
No mundo todo, a morte sempre causa separação. A morte separa os maiores amantes, os maiores amigos, as pessoas mais unidas. Mesmo o casamento, a maior união existente entre duas pessoas, dura somente até que a morte os separe. Se você medita sobre a morte ocorrida no Calvário, porém, vê exatamente o contrário. Pois o sacrifício de Jesus de Nazaré foi a única morte que trouxe união. De fato, nós estávamos terrivelmente separados - de Deus e uns dos outros - até que a Sua morte nos uniu! Com Sua cruz, Cristo fez com que a morte mudasse de trabalho. Agora, sua principal tarefa não é mais causar separação, mas, ao tocar cristãos, uni-los definitivamente com Aquele que por Sua morte os uniu à Sua vida!
Infelizmente, estamos esquecendo essas simples verdades. Nosso cristianismo está perdendo a cruz, ficou luxuoso demais, tão polido que perdeu o brilho. Diferentes de nosso Mestre, não queremos mais tomar nossa cruz, e por isso estamos nos desunindo - Dele e uns dos outros. Evitamos qualquer coisa que nos cause desconforto, que não venha já pronta e seja imediatamente confortável, e assim estamos perdendo os relacionamentos. Jesus ensinou no Calvário que se não há sofrimento não há união. Para não haver separação entre nós, precisamos tomar a cruz e morrer um pouquinho todo dia, sacrificar e renunciar nosso ego como centro da vida. Sem cruz não há comunhão, e sem comunhão a vida não faz sentido. Aquela cruz é sinal de dor, sim, mas é também sinal de soma.
E no mundo todo, se não existe essa cruz no coração, aí sim é sinal de muito luto e separação.
sábado, 22 de setembro de 2012
Vem de manhã
De manhã, se um intruso outono
Vier interromper meu fatigado sono
Trazendo questões e álgebras às
Ainda exaustas, infaustas pálpebras
Vem ali amanhecer meu espírito
Na tranquila alvorada de Teu Filho
Vem cultivar em mim Tua sombra
Obra de paz que arromba o sofrer
E logo, quando a planta de meus pés
Tocar a carnívora raiz da rotina
A alegria da missão que me chama
Florescerá na certeza de que Tu me amas
Pois já te levantaste de Teu sono
Pelo qual me despertaste - ó, o Teu drama!
Revela-me assim desde cedo o Filho
Pois não sou capaz de me erguer sozinho
Depois calça a minha fé em Teu Trilho
E leva-me com Tuas mãos de primavera
Até a Flor mais digna, santa e sincera
Pois na coroa de espinho descubro o meu ninho...
Ah, meu Senhor!
Quanta gentileza me trazeres a fé na cama!
terça-feira, 28 de agosto de 2012
A Saudade, o Inferno e o Amor
Saudade é a mistura de distância geográfica, tempo de ausência, tempo restante para o reencontro, e amor. Distância geográfica porque se você está a meio mundo de alguém, sente saudade mesmo que tenha se despedido há poucas horas. Tempo de ausência porque cada minuto sem a pessoa torna a saudade mais forte. Tempo restante porque quando nos despedimos sabendo que o reencontro vai demorar, a despedida em si já é cheia de saudade. Mas, acima de tudo, está o amor.
Porque sem amor, os três primeiros fatores não têm sentido. Se você está longe de uma pessoa, ou há tempo sem vê-la, mas não a ama, tudo bem, não sente saudades. Mas se houver amor, é certo que haverá também saudades. Se você ama, mesmo que faça bem pouco tempo que viu a pessoa amada, logo sente falta. Se ama, até a menor distância faz com que tenha saudades - mesmo que a pessoa esteja na sala e você no quarto, por exemplo. Quando se ama, o tempo restante para o reencontro parece levar quase uma vida inteira. Assim, de modo estranho, o amor, que é tão inocente e belo, transforma a ausência e a saudade em criaturas terríveis e cruéis. Pois, mesmo sem querer, o amor que sentimos faz toda distância ser grande demais, toda ausência longa demais, e toda despedida franca violência ao coração.
Agora, preciso lhe dizer o que é Inferno. Direi que o Amor verdadeiro, do qual temos e sentimos uma pequena dose, é na verdade Uma Pessoa. E o Inferno é o lugar onde o pleno Amor restringirá para sempre Sua maravilhosa presença. Assim, o Inferno é, em síntese, o lugar de maior distância entre nós e a Pessoa mais amável do universo. Inferno é a intranscorrível eternidade sem a presença da Pessoa mais amada que existe. Inferno é estar longe de Deus para sempre, sabendo que não há nem haverá jamais qualquer previsão de reencontro com Aquele que é o próprio Amor. Inferno é a saudade elevada à infinita trágica potência.
Toda a saudade que hoje sentimos é uma amostra minúscula de Inferno, enquanto o nosso amor é réplica simplória da gloriosa eternidade com o verdadeiro Amor. Devido à saudade, hoje nosso amor traz em si glória e ruína, prazer e sofrimento, mas nem sempre será assim. Pois embora essas coisas antagônicas estejam nele entrelaçadas, na eternidade futura elas estarão para sempre separadas, em eterno afastamento e crescente intensidade. Lá haverá, de um lado, amor perpétuo e presença gloriosa; e de outro, saudade sem esperança e solidão infinita.
O Evangelho de Jesus, entretanto, nos surpreende com a notícia extraordinária de que existe hoje mesmo um meio de experimentarmos amor sem qualquer saudade - o pleno amor do Deus de Amor! Sim, Ele sempre estará perto de nós, não se ausentará nem por um segundo. Ele sempre virá para nos reencontrar. Nada nem ninguém em tempo algum poderá nos separar do Seu amor! E Ele nos ama, realmente! Logo, meus amigos, chega de tristeza! O melhor abraço do universo nos espera! E, nesses termos, pelo amor de Deus, seria absurdo demais morrermos de saudade!
Porque sem amor, os três primeiros fatores não têm sentido. Se você está longe de uma pessoa, ou há tempo sem vê-la, mas não a ama, tudo bem, não sente saudades. Mas se houver amor, é certo que haverá também saudades. Se você ama, mesmo que faça bem pouco tempo que viu a pessoa amada, logo sente falta. Se ama, até a menor distância faz com que tenha saudades - mesmo que a pessoa esteja na sala e você no quarto, por exemplo. Quando se ama, o tempo restante para o reencontro parece levar quase uma vida inteira. Assim, de modo estranho, o amor, que é tão inocente e belo, transforma a ausência e a saudade em criaturas terríveis e cruéis. Pois, mesmo sem querer, o amor que sentimos faz toda distância ser grande demais, toda ausência longa demais, e toda despedida franca violência ao coração.
Agora, preciso lhe dizer o que é Inferno. Direi que o Amor verdadeiro, do qual temos e sentimos uma pequena dose, é na verdade Uma Pessoa. E o Inferno é o lugar onde o pleno Amor restringirá para sempre Sua maravilhosa presença. Assim, o Inferno é, em síntese, o lugar de maior distância entre nós e a Pessoa mais amável do universo. Inferno é a intranscorrível eternidade sem a presença da Pessoa mais amada que existe. Inferno é estar longe de Deus para sempre, sabendo que não há nem haverá jamais qualquer previsão de reencontro com Aquele que é o próprio Amor. Inferno é a saudade elevada à infinita trágica potência.
Toda a saudade que hoje sentimos é uma amostra minúscula de Inferno, enquanto o nosso amor é réplica simplória da gloriosa eternidade com o verdadeiro Amor. Devido à saudade, hoje nosso amor traz em si glória e ruína, prazer e sofrimento, mas nem sempre será assim. Pois embora essas coisas antagônicas estejam nele entrelaçadas, na eternidade futura elas estarão para sempre separadas, em eterno afastamento e crescente intensidade. Lá haverá, de um lado, amor perpétuo e presença gloriosa; e de outro, saudade sem esperança e solidão infinita.
O Evangelho de Jesus, entretanto, nos surpreende com a notícia extraordinária de que existe hoje mesmo um meio de experimentarmos amor sem qualquer saudade - o pleno amor do Deus de Amor! Sim, Ele sempre estará perto de nós, não se ausentará nem por um segundo. Ele sempre virá para nos reencontrar. Nada nem ninguém em tempo algum poderá nos separar do Seu amor! E Ele nos ama, realmente! Logo, meus amigos, chega de tristeza! O melhor abraço do universo nos espera! E, nesses termos, pelo amor de Deus, seria absurdo demais morrermos de saudade!
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
O Caminho chamando
Tem dias assim, em que parece que todos aqueles sonhos que Deus um dia prometeu realizar em sua vida parecem estar há milhares de anos-luz (ou “anos-sem-luz”, eu diria) da realidade de seu cotidiano. Sentimento surpreendente, em um momento em que nenhuma peça parece estar faltando em seu tabuleiro. Antigos gigantes inimigos foram superados, batalhas temíveis estão vencidas, seu álbum de figurinhas está completo. Ainda assim, que estranho, falta algo. Logo você se questiona e lembra que as coisas já foram bem mais difíceis, e que depois de tantos acertos muita gente gostaria de estar aonde você chegou hoje.E, contudo, você era mais feliz antes. Por quê? E por que sente saudade de um passado mais sofrido? Será que acabou se transformando em um viciado no sofrimento? Não, não é verdade, ninguém gosta de sofrer – mas quando o sofrimento é o caminho para se tornar a pessoa que se nasceu para ser, ou para se chegar no lugar ao qual se existe para pertencer, vale a pena.
Assim, inexplicavelmente aborrecido e sentindo-se velho por dentro, você decide sair à caça de novos desafios que possam lhe devolver a motivação. Pouco tempo depois, porém, se dá conta de que suas novas metas são, no fundo, as mesmas de bilhões de outros seres humanos que você não admira. É no mínimo frustrante perceber-se um imitador de quem em nada se quer imitar. Mas… o que há de errado com você? Por que não consegue ser feliz numa vida onde todos conseguiriam? Por que não pode ser contente como todo mundo?
E a resposta é muito simples: é que você não é daqui. As cintilantes luzes dessas ruas, casas e carros lhe causaram uma grande e terrível amnésia, que juntamente com o apagador da rotina esfregado freneticamente contra seu espírito, quase eliminou totalmente sua identidade original, tão viva em outro tempo. Você parou de caminhar, olhou tempo demais para o chão ao ponto de se esquecer para onde ia. Suas pernas pararam, seus sonhos se atrofiaram no conforto de uma vida estável na mediocridade. Mas por trás das costelas ainda pulsa um coração de peregrino. Independente do que fizeram com você ou do que aconteceu, aqui não é seu lugar!
Portanto, é preciso que lembre-se de onde veio, por que está aqui e para onde está indo. Você tinha essa resposta, mas depois acabou perdendo-a em algum lugar. Procure sua antiga simplicidade sábia, e a resposta perdida estará no mesmo lugar. Quando se lembrar dessas três coisas – sua origem, sua missão e seu destino – então se lembrará que para um cristão peregrino essas coisas estão sempre entrelaçadas. Você veio de Deus, você está para Deus, e você está indo para Deus. Lembre-se disso, pois a menos que se lembre e retome o caminho, mesmo a sua melhor vida em qualquer lugar vai lhe parecer mecânica e animal, inteligentemente patética e profundamente superficial!
Será que você ainda se lembra dessa voz, peregrino? Ouça! É o Caminho... e está lhe chamando.
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