quinta-feira, 17 de março de 2011

A Santidade e a Alegria

"Os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo" (Atos 13.52)

No tempo de nossa infância, nossos pais nos davam banho e nos vestiam com aquela bela roupa que tinham comprado para nós, sempre que desejavam nos levar a alguma festa ou a um lugar que alegrasse nosso coração. Em seguida, uma vez limpos e arrumados, eles nos diziam expressamente para termos cuidado e não nos sujarmos. Algumas vezes, porém, confesso que desobedeci e isso atrasou minha ida ao prometido lugar de alegria. Mais tarde, conforme fui crescendo, percebi que, dependendo da sujeira, a desobediência podia fazer com que a gente perdesse a festa. Percebi também que no mandamento de meus pais havia mais coisas envolvidas, pois a higiene dos filhos dá honra a seus pais. Na verdade, o modo como as crianças se vestem, falam, brincam, se relacionam e repartem as coisas umas com as outras nos revela muito de quem elas são filhos e filhas, e de como são os seus pais.

Nosso Pai Celestial, de semelhante modo, comprou no Calvário a mais bela roupagem para seus filhos, e deseja vê-los limpos. Sua intenção ao nos ordenar tal santidade é Seu desejo de nos levar ao "lugar" de satisfação mais maravilhoso, divertido e gostoso do universo: "Em Cristo", nos diz a Bíblia. No entanto, nossa ansiedade e inquietude nos tenta e nos distrai - e então a espera parece demorar e custar tanto! Chegamos a chamar tal submissão à vontade e ao tempo do Pai de "sacrifício", tamanho é seu custo para nós! Infelizmente, alguns não suportam: desobedecem, se precipitam e se sujam. Quanto atraso em nossa vida vem disso! Outros se mancham ainda mais, e infelizmente chegarão tarde demais à Festa.

Não somos crianças, mas assim como elas, o modo como lidamos, falamos, trabalhamos, nos relacionamos e compartilhamos as coisas uns com os outros mostra ao mundo de quem somos filhos, e como é o nosso Pai Amado. Nossa pureza de coração e higiene de espírito dá honra a Ele. Mas quem sai ganhando mesmo com a santidade somos nós, pois é permanecendo nela que o Pai leva Seus filhos à experimentação da melhor e verdadeira alegria! No entanto, quantos de nós ainda achamos que a santidade se resume somente a um chamado ao sacrifício e à privação! Ah, quando entendermos que a santidade vai além, pois é o requisito para a alegria real e o prazer eterno da comunhão com Cristo! Que povo motivado e consolado seremos, quando nosso espírito entender todo o prazer implícito no mandamento à santidade!

Irmãos peregrinos, vamos pedir juntos que sempre que a espera e a pureza ficarem difíceis demais para nós, e sentirmos a tentação de irmos brincar de pular na lama, que o Pai nos lembre que sem santidade não poderemos andar com Ele - e se não andarmos com Ele, não iremos a lugar algum!

"Eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. Ora, amados, visto que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a impureza tanto da carne, como do espírito, aperfeiçoando a nossa santificação no temor de Deus" (2 Co. 6.18-7.1)

"Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve" (Salmo 51.7)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Por que Peregrino

"Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos" (Salmo 119.19)


São sete e dez
Logo vou sair
Não da Tua presença que
Faz toda diferença
Mas veio a hora, vou sair agora
Queria ficar, preciso ir
São sete e dez
Mas minha independência
Continua aqui
A teus pés

E quando vou, caminho mas voo
Enquanto Tua graça amassa
E diz ao pobre menino
Que ele é um rico peregrino
Pois cada dia que vem, vai e passa
Esse choro, Escritura e hino
Torna-o mais e mais peregrino
Não por ir e caminhar
Não por subir ou baixar nem por abandonar
Seu escudo e tudo em casa

Mas, pelo contrário, é peregrino (e não se atrasa)
Por ter Cristo inteiro pela frente
Porque está indo realmente para Casa
E o seu destino é o Teu lar!

"Certamente a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na Casa do Senhor eternamente" (Salmo 23.6)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Voz e o Rádio

“A voz do Senhor ouve-se sobre as águas; o Deus da glória troveja... A voz do Senhor é poderosa, a voz do Senhor é cheia de majestade. A voz do Senhor quebra os cedros; o Senhor quebra os cedros do Líbano... A voz do Senhor separa as labaredas do fogo. A voz do Senhor faz tremer o deserto... ” (Salmo 29)

Quando lemos isso, a pergunta que vem à mente é: por que temos tanta dificuldade de ouvirmos Sua voz ao longo de nossa jornada, sendo tão poderosa? Por que muitos passam a vida sem ouvi-la, ao ponto de se magoarem com Ele – pois ao orarem sentem-se ignorados?

Deus fala, Ele é a Palavra viva e Sua voz ecoa no universo em poder e glória. O problema não está na falta de emissão de Sua voz, mas em nossa insuficiente captação dela. Imagine um aparelho de rádio que está fora de sintonia. Nesse caso, a mensagem emitida por uma antena transmissora não será captada por ele – por mais poderosa e real que seja a antena e seu sinal, e por mais que o rádio esteja ligado e funcionando. Mas alguns céticos abrirão o rádio e afirmarão, categoricamente, que nunca existiu a poderosa estação transmissora, nem muito menos seu sinal – sem considerarem que algo no pequeno rádio é que está fora do lugar.

No Jardim do Éden, nosso pecado nos derrubou e tirou de sintonia, de modo que agora somos incapazes de ouvir a mensagem divina. Desde o Éden, temos sintonizado apenas nossa própria alma, suas mensagens pecaminosas de natureza egoísta e orgulhosa, amantes que somos deste mundo caído. Fomos destituídos da gloriosa voz de Deus, não porque Ele nos abandonou e se calou, mas porque saímos de nossa posição original.

Todavia, pelo poder de Seu Espírito, Jesus veio humana e pessoalmente ao mundo e, pela obra da cruz, devolveu a sintonia aos Seus escolhidos, que agora podem captar Sua voz chamando-os, aquele antigo chamado que há tantos séculos continuou sendo emitido, que as estrelas e o universo ouvem e atendem, mas que então já não ouvíamos. O cristão, portanto, deve permanecer em sintonia com a mensagem do Evangelho, a fim de ouvir a Voz,e permanecer firme aí, pois a estação da alma e do pecado continua emitindo seu sinal e fazendo interferências, chiado e barulho à sua volta, na tentativa de causar distrações na captação da santa voz. E as ondas da alma são perigosas, como a sensualidade e nossa ansiedade.

Por outro lado, aqueles que vivem no propósito de Deus não apenas são dotados de uma afinada recepção de Sua voz, como também ficam sensíveis à toda a Sua presença - poderosa e suave, pois perto está o Senhor. E é aqui que o cristão passa a ser não só um receptor, mas também um emissor da glória a Deus, bem como um reprodutor e retransmissor fiel da mesma mensagem que o eletrifica para sempre em vida - e o faz cantar!

"E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas" (1 Jo.1.5)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Presença e o Transbordar

"Tu estás comigo... o meu cálice transborda" (Salmo 23)

Deus é infinito em grandeza, sabemos que o universo não pode contê-lo pois não passa de uma poeira sob Seu olhar. Considerar essa realidade aumenta o milagre de Sua moradia no coração do cristão (somos Seu templo e santuário); mas também denuncia uma incoerência elementar e muitas vezes despercebida, que é nossa falta de expressão exterior, isto é, a ausência de testemunho do transbordar divino em nós, que afirmamos ter Sua presença.

Se Deus é incontível e Ele está em nós, então é inevitável que haja plenitude de Seu Espírito em nossas atitudes, pensamentos, tratamentos e palavras. Quando o Espírito é derramado, qualquer vaso é pequeno demais para não transbordar Dele. Se de fato se derramou em nós, é impossível que Ele não se derrame de nós. Se eu, tão pequeno, afirmo que em mim está o grandioso Deus, tão denso e poderoso, estarei equivocado em minha afirmação se essa presença santa não trazer transformação à minha forma anterior, mostrando que houve mudança de minha maneira e jeito atuais, comparados com quando eu era vazio e incompleto, sem Ele. Se estou cheio de Sua presença infinita, não há como esta fina embalagem humana não assumir os contornos, os relevos e as formas do Jesus que a encheu, ao ponto de quem olhar para a embalagem reconhecer o conteúdo maravilhoso do qual está cheia.

Quem crê que o Deus Santo habita em si, ou transborda Dele e jorra como uma fonte, ou já o está perdendo (tendo Dele um derradeiro vestígio, o que é trágico), ou ainda não o tem e está enganado. Quem crê que Cristo vive em si, mas na prática acha que o pôs em apenas algum compartimento de seu coração, está ignorando totalmente a grandeza de Deus. Ele é Senhor ilimitado, e se habita em nós Ele o faz como Senhor, presente em tudo, Senhor de tudo. Ou Ele vive em nós como Senhor, ou não temos Sua vida. E se Ele está conosco, isso será notável e percebido em pelo menos algum momento, até pela pessoa mais distraída à nossa volta.

A glória de Deus enche o universo; tê-la em nós sem dela transbordarmos em gestos, princípios, decisões, prioridades e palavras (ou silêncio santo) é inconcebível. Dizer que o Senhor é a nossa porção, e depois nos sentirmos incompletos não combina com a realidade, é dissonante pois a porção nessa metáfora é muito mais e maior que o recipiente. Nossa insatisfação revela que Ele ainda não habita em nós, pois do contrário estaríamos transbordantes, de tal modo que nada nosso estaria ainda à vista das pessoas. Pois quando Cristo Jesus está em nós Ele transborda e jorra através de nós; e quando o faz, nós mesmos vamos ficando cada vez menos visíveis aos Homens, detrás do belo véu de Seu derramar. E quanto menos de nós se vê e mais Dele, maior é a beleza e exuberância da vida, mais se ouve a Sua voz "como o som de muitas águas" (Ap.1.15), e mais sede o mundo sente ao olhar para Sua plena abundância em nós.

"Mas aquele que beber da água que eu (Jesus) lhe der nunca mais terá sede. De fato, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna" (João 4.14)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Chega do mundo!


Imundo mundo, não me traga
A praga que me suga e traga
Que de secura sem cura me alaga
Nem a adaga que me apaga
E sua chaga que me amarga
Ou a nua vaga que me afoga - não afaga
Nem alarga o riso, só o friso
Conforme sigo sua cega saga!

Vem dia, vai dia e a vida vai vadia.
Sei que preciso meditar e mudar
Mas por mais que fique a estudar
Só consigo me deitar
E quanto mais me certifico
Mais certo fico de que o problema
Da minha vida de esquema
Não é um estratagema
Pois por muito que me esforce
De novo no ovo falta a gema.

Por isso me sinto caniço e enguiço,
A torta ruga de uma tartaruga
Ou sanguessuga sem nada a sugar,
Tonta pulga sempre em fuga de todo lugar!
Preciso sair de minha herdade,
Granizo que chove nesta cidade
Sem que eu tenha a capa ou capacidade
Para largar isto: o terrível misto no qual existo
E ir embora por inteiro
Para a verdade e a liberdade
Do filho do carpinteiro - Jesus!

Aaah! Que Ele me resgate do que é tão meu!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A Estrela e a Cruz

"Eu o vejo, mas não no presente; eu o contemplo, mas não de perto; de Jacó procederá uma estrela..." (Nm.24.17. Aprox. 1450 A.C.)

O nascimento é sem dúvida um privilégio e uma dádiva de Deus. No entanto, para Jesus foi sinônimo de grande renúncia e humilhação, pois implicou o esvaziamento de Sua majestade eterna, que desceu e encarnou-se, comprimindo-se na limitação, sujeita às tempestades da vontade própria e às fraquezas e paixões da alma humana, pois era 100% homem (só assim poderia assumir o castigo que em Sua justiça exige para a satisfação dos pecados dos Homens). Ele foi inteiramente homem, nosso perfeito substituto, mas homem singular pois era também 100% Deus. Pôde escolher onde nascer, por exemplo. Mas ao fazê-lo, optou por um estábulo no interior da Judeia, quis a manjedoura entre os animais, o odor de estrume. No dia de Seu nascimento, embora a estrela brilhasse nos ares, na terra o acontecimento exigiu extrema humildade e renúncia de Sua parte.

Em Belém, Aquele que não teve começo ou fim de dias, o Deus eterno e imortal, desceu até nós e se sujeitou a nascer no tempo e na própria Criação. É claro que ali brilhou uma luz diferente - como em Gênesis 1, quando a Luz Eterna produziu a natural e dissipou o caos; como igualmente continua acontecendo na vida, pensamento e relacionamentos dos que estavam em trevas mas ouvem o Seu "Haja luz!", e então Ele resplandece em nossos corações com glória, e vemos nela a face de Cristo (2 Co.4.6) - o Cristo que veio em carne para nos livrar da destrutividade da nossa!

O Deus que é luz (1 Jo.1.5) e habita em luz inacessível (Tg.6.16) se sujeitou a "ser dado à luz", a levar uma vida nos suportando e a morrer levando e suportando nossos pecados. Somou à humilhação de Sua encarnação a aspereza da madeira daquela manjedoura, a humildade de suportar a dureza de homens feito árvores (Mt.8.24), para ao fim carregar a aspereza da madeira de Sua cruz. Ele nasceu sobre a madeira rude rodeado de animais e estrume, para morrer também sobre a madeira rude, rodeado de pecadores animalescos e fétidos. Mas com Sua obra Ele nos libertou de nossas mentalidades irracionais, dissipando o fedor execrável de nossos pecados, pelo que hoje reputamos nossas glórias pessoais como "esterco, comparadas com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus" (Fp.3.7,8). No dia de Sua morte, embora nos ares houvesse trevas, sobre a cruz brilhava a Estrela que nos traz o amanhecer.

Vemos, portanto, a cruz implícita desde a estrela de Seu nascimento, bem como também vemos na cruz a Estrela de Deus e a Luz do mundo. Diferente de nós, que usamos a estrela como símbolo de nascimento e a cruz para a morte, em Sua estrela sabemos que já havia sacrifício, e pela Sua morte irradiou no mundo a luz vinda dos céus. Na cruz, mesmo após horas de trevas sobre a terra, nosso Astro pôde nos mostrar o caminho para os céus. Pelo que podemos confiar que em meio à qualquer escuridão e por toda a vida Cristo haverá de nos guiar - não como aquela estrela que conduziu os magos à manjedoura, mas como a cruz onde agora resplandece vitorioso Aquele que nos está guiando aos Seus palácios!

"Ao verem eles a estrela, jubilaram-se com grande alegria" (Mt.2.10)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Faz-nos voltar, Senhor!

Ah, Senhor! Temos pecado contra Ti de modo grave e indesculpável! Nossa geração é ignorante e traspassada por toda sorte de cobiça. Nosso orgulho, tão amante dos prazeres mundanos, tem acumulado para si falsos mestres que só aumentam nossa fome pelas coisas desta era mau e egoísta, homens que conhecem melhor a natureza do diabo e a psiquê humana do que Teu santo coração revelado no Calvário. Temos corrido atrás do vento, sedentos por visibilidade, fama e poder político. Nossos antepassados cristãos, perseguidos e odiados, embora obrigados e se esconder, provocaram uma transformação visível na sociedade em que viveram. Nós, porém, nunca estivemos tão expostos, nunca fomos tão visíveis - mas não causamos mudança, pois não incentivamos ninguém ao arrependimento, nem amamos fervorosamente Tua Palavra. Esquecemo-nos do Teu nome e face, buscando antes Teu patrocínio para tornar conhecido o nosso amado nome e nossa própria face - e com isso só provocamos Tua indignação!

Pai Santo, temos formatado Tua mensagem, falsificando-a para ser simpática, suave, ecumênica e lucrativa para um mundo de moral imoral. Nossas músicas perderam a mensagem de adoração a Ti, se transformaram em promessas incondicionais de triunfo social, financeiro e sentimental que fazemos a nós mesmos. Esse outro evangelho não é loucura para os que perecem, pois nele não existe cruz, renúncia, obediência ou sofrimento. É atraente até para o maior ateu pois sua mensagem é a do puro capitalismo selvagem, cujo dinheiro é a fé - fé nesse sistema ilusório.

Mas agora, ó Senhor, tem misericórdia de nós, povo que se chama pelo Teu nome mas que não Te conhece, que enchemos nossa vida religiosa de altares idólatras e de falsa filosofia, à semelhança dos antigos povos pagãos que destruíste - tem piedade de nós e faz-nos voltar ao altar único e suficiente do Calvário de Jesus, altar que para nossa geração tornou-se o altar ao Deus desconhecido (At.17), devido à nossa obscuridade e dureza de coração! Dá aos Teus filhos o presente de verdadeiramente conseguirem se arrepender, uma vez mais, de enxergarmos ao menos a realidade de que pecamos e temos responsabilidade disso. Que possamos abandonar essas falsas doutrinas que transferem a responsabilidade de nossa rebelião para outras pessoas ou motivos. Perdoa-nos! Quando Teu povo erra não é por estar sob maldições - pois Tu és o nosso Pai, e Cristo na cruz já se fez maldição em nosso lugar, levando sobre Si a maldição da lei reservada a nós (Gl.3.13,14). Tampouco podemos culpar o diabo e seus supostos direitos legais sobre nós, pois o maligno não tem direitos no que é Tua propriedade legal, e Tu nada lhe deves, Senhor, senão castigo, pois ele é ladrão e ilegal. A razão de Te ofendermos tampouco está em termos sido prejudicados por alguém ou por acontecimentos em nosso passado, pois não se justifica acrescentarmos aos pecados cometidos contra nós (os quais odiamos) nossos próprios e iguais pecados que amamos! O ódio que sentimos do pecado de outros contra nós não justifica o amor que temos de praticar o mesmo pecado que dizemos odiar! De modo que somos indesculpáveis, Senhor, pelos pecados que cometemos, e por não admitirmos que vivemos em pecado, e por negarmos que a culpa desses pecados está em nossas próprias decisões contrárias à Tua santidade, pessoa, lei e honra!

Nós pecamos, nós Te ofendemos, e apesar de Tua abundante revelação nós não Te conhecemos, pois estamos virados para nosso conforto e interesses mesquinhos! Nós somos culpados pois quando correste para nos abraçar não quisemos relacionamento Contigo, pois então teríamos de concordar com Tua santidade a fim de emparelharmos Contigo no Teu jugo, tendo então de acertarmos nossos passos com os Teus. Por isso corremos de Ti, embora para usufruirmos de Teu poder tenhamos passado a fabricar, acreditar e louvar uma grande variedade de amuletos, receitas e fórmulas mágicas, unções e manifestações espirituais que só multiplicam nossa vaidade mística; práticas absurdas que copiamos uns dos outros acreditando serem a senha para extrairmos de Ti o sucesso de nosso egoísmo.

Nós somos culpados, Senhor, por não acreditarmos que Tua Palavra é realmente poder, e ao mesmo tempo afirmarmos que nossas próprias palavras tem poder divino e criativo, o que nos faz agir como pequenos deuses que emitem palavras e frases às quais o mundo espiritual deve se dobrar. Grande miséria! E por desconhecermos Tua Palavra, tornamo-nos profetas arbitrários a proferir mensagens vindas de nosso coração enganoso e imundo, mentiras de acordo com julgamentos baseados na aparência! Sim, viramos profetas de nós mesmos e isto porque somos nossos próprios deuses, o que nos faz ainda mais vis que os ídolos pagãos antigos, pois eles ao menos tinham outros que profetizassem por eles! Mesmo assim não enxergamos que nossas profecias não se cumprem, pelo que nossas palavras tem muito poder sim - o poder de nos condenarem (Mt.15.18)!

Mas agora, Deus Santo, dá arrependimento ao povo pelo qual derramaste o Sangue da nova aliança! Põe em nós um coração sensível ao Teu Espírito, já quase extinto dali! Por causa de Teu Nome, Tua identidade imutável de santidade e misericórdia, volta com Tua glória para o centro de Teu rebanho disperso e volta e reunir-nos! Não pedimos que venhas aos palacetes luxuosos que construímos enquanto nossas famílias e vizinhos eram destruídos por nosso profundo desconhecimento de Ti. O que confessamos precisar e suplicamos é que levantes o tabernáculo caído de Davi em nosso coração, estabelecendo o Teu santuário em nós, pois não habitas em tijolos ou pedras, mas com o contrito e humilhado aos Teus pés. Cria em nós um coração puro (Sl.51), e purifica também nossas mãos e atitudes - pois os de coração puro Te verão (Mt.5.8), e os de mãos limpas entram na intimidade pois buscam a Tua face, ó Deus de Jacó e Rei da Glória (Sl.24)!

Faz-nos voltar a Ti, Pai Justo, à Tua Palavra e à vida e obra consumada de Jesus! Fizemo-nos cativos de nossas iniquidades, mas faz-nos regressar à simplicidade do Cristo vencedor. Desenterra nosso coração desta terra sedutora e leva-nos às regiões celestiais como peregrinos que não olham para trás! O fim da era dos gentios se aproxima, mas lembra-Te ainda desta geração e acende novamente em nós o testemunho do Teu Cristo! Nós te suplicamos desesperadamente pelo nome de Jesus!