segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Presença e o Transbordar

"Tu estás comigo... o meu cálice transborda" (Salmo 23)

Deus é infinito em grandeza, sabemos que o universo não pode contê-lo pois não passa de uma poeira sob Seu olhar. Considerar essa realidade aumenta o milagre de Sua moradia no coração do cristão (somos Seu templo e santuário); mas também denuncia uma incoerência elementar e muitas vezes despercebida, que é nossa falta de expressão exterior, isto é, a ausência de testemunho do transbordar divino em nós, que afirmamos ter Sua presença.

Se Deus é incontível e Ele está em nós, então é inevitável que haja plenitude de Seu Espírito em nossas atitudes, pensamentos, tratamentos e palavras. Quando o Espírito é derramado, qualquer vaso é pequeno demais para não transbordar Dele. Se de fato se derramou em nós, é impossível que Ele não se derrame de nós. Se eu, tão pequeno, afirmo que em mim está o grandioso Deus, tão denso e poderoso, estarei equivocado em minha afirmação se essa presença santa não trazer transformação à minha forma anterior, mostrando que houve mudança de minha maneira e jeito atuais, comparados com quando eu era vazio e incompleto, sem Ele. Se estou cheio de Sua presença infinita, não há como esta fina embalagem humana não assumir os contornos, os relevos e as formas do Jesus que a encheu, ao ponto de quem olhar para a embalagem reconhecer o conteúdo maravilhoso do qual está cheia.

Quem crê que o Deus Santo habita em si, ou transborda Dele e jorra como uma fonte, ou já o está perdendo (tendo Dele um derradeiro vestígio, o que é trágico), ou ainda não o tem e está enganado. Quem crê que Cristo vive em si, mas na prática acha que o pôs em apenas algum compartimento de seu coração, está ignorando totalmente a grandeza de Deus. Ele é Senhor ilimitado, e se habita em nós Ele o faz como Senhor, presente em tudo, Senhor de tudo. Ou Ele vive em nós como Senhor, ou não temos Sua vida. E se Ele está conosco, isso será notável e percebido em pelo menos algum momento, até pela pessoa mais distraída à nossa volta.

A glória de Deus enche o universo; tê-la em nós sem dela transbordarmos em gestos, princípios, decisões, prioridades e palavras (ou silêncio santo) é inconcebível. Dizer que o Senhor é a nossa porção, e depois nos sentirmos incompletos não combina com a realidade, é dissonante pois a porção nessa metáfora é muito mais e maior que o recipiente. Nossa insatisfação revela que Ele ainda não habita em nós, pois do contrário estaríamos transbordantes, de tal modo que nada nosso estaria ainda à vista das pessoas. Pois quando Cristo Jesus está em nós Ele transborda e jorra através de nós; e quando o faz, nós mesmos vamos ficando cada vez menos visíveis aos Homens, detrás do belo véu de Seu derramar. E quanto menos de nós se vê e mais Dele, maior é a beleza e exuberância da vida, mais se ouve a Sua voz "como o som de muitas águas" (Ap.1.15), e mais sede o mundo sente ao olhar para Sua plena abundância em nós.

"Mas aquele que beber da água que eu (Jesus) lhe der nunca mais terá sede. De fato, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna" (João 4.14)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Chega do mundo!


Imundo mundo, não me traga
A praga que me suga e traga
Que de secura sem cura me alaga
Nem a adaga que me apaga
E sua chaga que me amarga
Ou a nua vaga que me afoga - não afaga
Nem alarga o riso, só o friso
Conforme sigo sua cega saga!

Vem dia, vai dia e a vida vai vadia.
Sei que preciso meditar e mudar
Mas por mais que fique a estudar
Só consigo me deitar
E quanto mais me certifico
Mais certo fico de que o problema
Da minha vida de esquema
Não é um estratagema
Pois por muito que me esforce
De novo no ovo falta a gema.

Por isso me sinto caniço e enguiço,
A torta ruga de uma tartaruga
Ou sanguessuga sem nada a sugar,
Tonta pulga sempre em fuga de todo lugar!
Preciso sair de minha herdade,
Granizo que chove nesta cidade
Sem que eu tenha a capa ou capacidade
Para largar isto: o terrível misto no qual existo
E ir embora por inteiro
Para a verdade e a liberdade
Do filho do carpinteiro - Jesus!

Aaah! Que Ele me resgate do que é tão meu!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A Estrela e a Cruz

"Eu o vejo, mas não no presente; eu o contemplo, mas não de perto; de Jacó procederá uma estrela..." (Nm.24.17. Aprox. 1450 A.C.)

O nascimento é sem dúvida um privilégio e uma dádiva de Deus. No entanto, para Jesus foi sinônimo de grande renúncia e humilhação, pois implicou o esvaziamento de Sua majestade eterna, que desceu e encarnou-se, comprimindo-se na limitação, sujeita às tempestades da vontade própria e às fraquezas e paixões da alma humana, pois era 100% homem (só assim poderia assumir o castigo que em Sua justiça exige para a satisfação dos pecados dos Homens). Ele foi inteiramente homem, nosso perfeito substituto, mas homem singular pois era também 100% Deus. Pôde escolher onde nascer, por exemplo. Mas ao fazê-lo, optou por um estábulo no interior da Judeia, quis a manjedoura entre os animais, o odor de estrume. No dia de Seu nascimento, embora a estrela brilhasse nos ares, na terra o acontecimento exigiu extrema humildade e renúncia de Sua parte.

Em Belém, Aquele que não teve começo ou fim de dias, o Deus eterno e imortal, desceu até nós e se sujeitou a nascer no tempo e na própria Criação. É claro que ali brilhou uma luz diferente - como em Gênesis 1, quando a Luz Eterna produziu a natural e dissipou o caos; como igualmente continua acontecendo na vida, pensamento e relacionamentos dos que estavam em trevas mas ouvem o Seu "Haja luz!", e então Ele resplandece em nossos corações com glória, e vemos nela a face de Cristo (2 Co.4.6) - o Cristo que veio em carne para nos livrar da destrutividade da nossa!

O Deus que é luz (1 Jo.1.5) e habita em luz inacessível (Tg.6.16) se sujeitou a "ser dado à luz", a levar uma vida nos suportando e a morrer levando e suportando nossos pecados. Somou à humilhação de Sua encarnação a aspereza da madeira daquela manjedoura, a humildade de suportar a dureza de homens feito árvores (Mt.8.24), para ao fim carregar a aspereza da madeira de Sua cruz. Ele nasceu sobre a madeira rude rodeado de animais e estrume, para morrer também sobre a madeira rude, rodeado de pecadores animalescos e fétidos. Mas com Sua obra Ele nos libertou de nossas mentalidades irracionais, dissipando o fedor execrável de nossos pecados, pelo que hoje reputamos nossas glórias pessoais como "esterco, comparadas com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus" (Fp.3.7,8). No dia de Sua morte, embora nos ares houvesse trevas, sobre a cruz brilhava a Estrela que nos traz o amanhecer.

Vemos, portanto, a cruz implícita desde a estrela de Seu nascimento, bem como também vemos na cruz a Estrela de Deus e a Luz do mundo. Diferente de nós, que usamos a estrela como símbolo de nascimento e a cruz para a morte, em Sua estrela sabemos que já havia sacrifício, e pela Sua morte irradiou no mundo a luz vinda dos céus. Na cruz, mesmo após horas de trevas sobre a terra, nosso Astro pôde nos mostrar o caminho para os céus. Pelo que podemos confiar que em meio à qualquer escuridão e por toda a vida Cristo haverá de nos guiar - não como aquela estrela que conduziu os magos à manjedoura, mas como a cruz onde agora resplandece vitorioso Aquele que nos está guiando aos Seus palácios!

"Ao verem eles a estrela, jubilaram-se com grande alegria" (Mt.2.10)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Faz-nos voltar, Senhor!

Ah, Senhor! Temos pecado contra Ti de modo grave e indesculpável! Nossa geração é ignorante e traspassada por toda sorte de cobiça. Nosso orgulho, tão amante dos prazeres mundanos, tem acumulado para si falsos mestres que só aumentam nossa fome pelas coisas desta era mau e egoísta, homens que conhecem melhor a natureza do diabo e a psiquê humana do que Teu santo coração revelado no Calvário. Temos corrido atrás do vento, sedentos por visibilidade, fama e poder político. Nossos antepassados cristãos, perseguidos e odiados, embora obrigados e se esconder, provocaram uma transformação visível na sociedade em que viveram. Nós, porém, nunca estivemos tão expostos, nunca fomos tão visíveis - mas não causamos mudança, pois não incentivamos ninguém ao arrependimento, nem amamos fervorosamente Tua Palavra. Esquecemo-nos do Teu nome e face, buscando antes Teu patrocínio para tornar conhecido o nosso amado nome e nossa própria face - e com isso só provocamos Tua indignação!

Pai Santo, temos formatado Tua mensagem, falsificando-a para ser simpática, suave, ecumênica e lucrativa para um mundo de moral imoral. Nossas músicas perderam a mensagem de adoração a Ti, se transformaram em promessas incondicionais de triunfo social, financeiro e sentimental que fazemos a nós mesmos. Esse outro evangelho não é loucura para os que perecem, pois nele não existe cruz, renúncia, obediência ou sofrimento. É atraente até para o maior ateu pois sua mensagem é a do puro capitalismo selvagem, cujo dinheiro é a fé - fé nesse sistema ilusório.

Mas agora, ó Senhor, tem misericórdia de nós, povo que se chama pelo Teu nome mas que não Te conhece, que enchemos nossa vida religiosa de altares idólatras e de falsa filosofia, à semelhança dos antigos povos pagãos que destruíste - tem piedade de nós e faz-nos voltar ao altar único e suficiente do Calvário de Jesus, altar que para nossa geração tornou-se o altar ao Deus desconhecido (At.17), devido à nossa obscuridade e dureza de coração! Dá aos Teus filhos o presente de verdadeiramente conseguirem se arrepender, uma vez mais, de enxergarmos ao menos a realidade de que pecamos e temos responsabilidade disso. Que possamos abandonar essas falsas doutrinas que transferem a responsabilidade de nossa rebelião para outras pessoas ou motivos. Perdoa-nos! Quando Teu povo erra não é por estar sob maldições - pois Tu és o nosso Pai, e Cristo na cruz já se fez maldição em nosso lugar, levando sobre Si a maldição da lei reservada a nós (Gl.3.13,14). Tampouco podemos culpar o diabo e seus supostos direitos legais sobre nós, pois o maligno não tem direitos no que é Tua propriedade legal, e Tu nada lhe deves, Senhor, senão castigo, pois ele é ladrão e ilegal. A razão de Te ofendermos tampouco está em termos sido prejudicados por alguém ou por acontecimentos em nosso passado, pois não se justifica acrescentarmos aos pecados cometidos contra nós (os quais odiamos) nossos próprios e iguais pecados que amamos! O ódio que sentimos do pecado de outros contra nós não justifica o amor que temos de praticar o mesmo pecado que dizemos odiar! De modo que somos indesculpáveis, Senhor, pelos pecados que cometemos, e por não admitirmos que vivemos em pecado, e por negarmos que a culpa desses pecados está em nossas próprias decisões contrárias à Tua santidade, pessoa, lei e honra!

Nós pecamos, nós Te ofendemos, e apesar de Tua abundante revelação nós não Te conhecemos, pois estamos virados para nosso conforto e interesses mesquinhos! Nós somos culpados pois quando correste para nos abraçar não quisemos relacionamento Contigo, pois então teríamos de concordar com Tua santidade a fim de emparelharmos Contigo no Teu jugo, tendo então de acertarmos nossos passos com os Teus. Por isso corremos de Ti, embora para usufruirmos de Teu poder tenhamos passado a fabricar, acreditar e louvar uma grande variedade de amuletos, receitas e fórmulas mágicas, unções e manifestações espirituais que só multiplicam nossa vaidade mística; práticas absurdas que copiamos uns dos outros acreditando serem a senha para extrairmos de Ti o sucesso de nosso egoísmo.

Nós somos culpados, Senhor, por não acreditarmos que Tua Palavra é realmente poder, e ao mesmo tempo afirmarmos que nossas próprias palavras tem poder divino e criativo, o que nos faz agir como pequenos deuses que emitem palavras e frases às quais o mundo espiritual deve se dobrar. Grande miséria! E por desconhecermos Tua Palavra, tornamo-nos profetas arbitrários a proferir mensagens vindas de nosso coração enganoso e imundo, mentiras de acordo com julgamentos baseados na aparência! Sim, viramos profetas de nós mesmos e isto porque somos nossos próprios deuses, o que nos faz ainda mais vis que os ídolos pagãos antigos, pois eles ao menos tinham outros que profetizassem por eles! Mesmo assim não enxergamos que nossas profecias não se cumprem, pelo que nossas palavras tem muito poder sim - o poder de nos condenarem (Mt.15.18)!

Mas agora, Deus Santo, dá arrependimento ao povo pelo qual derramaste o Sangue da nova aliança! Põe em nós um coração sensível ao Teu Espírito, já quase extinto dali! Por causa de Teu Nome, Tua identidade imutável de santidade e misericórdia, volta com Tua glória para o centro de Teu rebanho disperso e volta e reunir-nos! Não pedimos que venhas aos palacetes luxuosos que construímos enquanto nossas famílias e vizinhos eram destruídos por nosso profundo desconhecimento de Ti. O que confessamos precisar e suplicamos é que levantes o tabernáculo caído de Davi em nosso coração, estabelecendo o Teu santuário em nós, pois não habitas em tijolos ou pedras, mas com o contrito e humilhado aos Teus pés. Cria em nós um coração puro (Sl.51), e purifica também nossas mãos e atitudes - pois os de coração puro Te verão (Mt.5.8), e os de mãos limpas entram na intimidade pois buscam a Tua face, ó Deus de Jacó e Rei da Glória (Sl.24)!

Faz-nos voltar a Ti, Pai Justo, à Tua Palavra e à vida e obra consumada de Jesus! Fizemo-nos cativos de nossas iniquidades, mas faz-nos regressar à simplicidade do Cristo vencedor. Desenterra nosso coração desta terra sedutora e leva-nos às regiões celestiais como peregrinos que não olham para trás! O fim da era dos gentios se aproxima, mas lembra-Te ainda desta geração e acende novamente em nós o testemunho do Teu Cristo! Nós te suplicamos desesperadamente pelo nome de Jesus!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Oceano que mergulha!


Fogo que refrigera
Silêncio que ensurdece
Boca de nova vida
Paixão que dá a paz
Sorriso de orquestra
Nuvem que perfuma
Mãos de colírios com
Dedos de lírios e delírios

Simplicidade que confunde
Sombra que ilumina
Verdade que aquieta
Toque que derrete
Olhos que abraçam
Peito que não repulsa, pulsa

Sonho com sabor
Mente que não mente
Abraço que sequetra
Vento que refresca e canta
Doçura que persevera
Água que incendeia
Pureza provocante (de mais pureza)

Espada que perdoa e corta
Flor que cicatriza
Beijo que santifica
Dor que nos consola
Voz que in/trans e forma
Sangue de amor invencível

O prazer que dá coragem
O poder que faz humilde
Céu que transborda a terra
Santidade furiosa
Oceano que em nós mergulha

É JESUS, meu Senhor... hahaha!
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Você vai ficar aí só olhando?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Movimento

A vida implica movimento. Mesmo os vegetais aparentemente estáticos se movem. Na vida espiritual, o princípio é o mesmo: o que tem vida se move de algum modo, em algum momento, sempre na direção de cumprir seu propósito. Os cristãos são as pessoas mais dinâmicas do mundo, pois elas estão continuamente se movendo em direção a Deus. Assim, mesmo quando fisicamente paradas, de joelhos ou até mesmo dormindo, elas estão se movendo em Deus, e Ele está se movendo nelas, e se movendo para outros através delas. Como vemos na criação do mundo, à medida que o Criador vai implementando vida em nossa esfera, esta vida começa a mover-se em muitas direções, povoando terra, céu e mar. A vida ganha expressão material, movimentação cuja atitude é visível. Movimento não implica necessariamente vida - pois sob forças externas algo inanimado também se move - vida, porém, necessariamente implica movimento. É impossível que o que tem vida e propósito não se mova.

Peregrinos, afirmamos ter recebido a vida do Eterno em nossos corações, mas ela tem se movido em nós? Tem movido nosso coração à mudanças internas e externas? Tem nos movido a mover-nos em favor do próximo? Ou será que nossas experiências estão todas mumificadas, dignamente emolduradas na memória de glórias passadas e empoeiradas? Tenho para mim que muitos deixaram de desejar o mover de Deus em seu interior por se contentarem com as mudanças já ocorridas. No entanto, só o Espírito que se move sobre nosso caos sabe o tamanho do projeto que arde no coração de Deus, e somente o Filho pode dizer: "Está consumado".

Outros sentem tanto Deus movendo seus corações, mas na prática estão paralisados pois perderam a clareza do propósito. Falsas mentalidades os fazem acreditar que dependem de uma oportunidade externa para realizarem o que, sem se darem conta, já está ao seu alcance de forma simples e humilde. Jesus aproveitou muito bem as oportunidades que teve, mas o traço marcante de suas ações foi descortinar, na perseverança e no amor, oportunidades onde ninguém mais viu. Precisamos deixar Ele mover-se livremente em nós, e pedirmos que nos faça atentos ao seu momento de mover-se através de nós, pois essa é a nossa parte, independente da envergadura visível da obra.
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Muitos de nós tem recebido promessas de Deus, de que Ele nos levará a muitos lugares. Quando lembro disso, penso que há tantos lugares de oração, de revelação, de arrependimento, de aprendizado e contemplação aos quais ainda não fomos! Há tantos lugares espirituais que ainda desconhecemos, lugares de intimidade, salas de banquete, jardins secretos, enfim, há tanto por explorar! Resta quase tudo a percorrer! É hora de nos movermos, de avançarmos para ele!
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Prepare-se para mudar. Calce os sapatos, dobre os joelhos, estamos de partida! A coluna de fogo está se movendo... sua alma sente o calor?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Crer contra a esperança

O velhote chega em casa dizendo que Deus lhe fez promessas e baseado nelas decide morar com a esposa e os criados em um deserto muito longe do lugar onde nascera. O apartamento não é luxuoso: trata-se de uma barraca. A promessa que recebeu tem a ver com os seus descendentes... só que sua esposa sempre foi estéril. Depois de anos, um dia chega em casa (isto é, na barraca) e circuncida a si mesmo e todos os seus criados. O motivo é que recebeu novas promessas divinas. E essa nem é a maior de suas "loucuras".

O rapazinho de aparência gentil rasteja de bruço nas valetas sujas, se perde sozinho nos bosques montanhosos, cambaleia na aridez da paisagem acidentada. Fugitivo, se entoca em uma caverna apertada, no meio de quatrocentos marginais. Gosta de harpa e escreve poesia, enquanto seu estômago ronca. Está sendo caçado pelos mais temidos guerreiros, o que faz sua presença ser questionada até por alguns bandidos. Só está ali porque recebeu promessas divinas.

Um jovem trabalhador está noivo de uma moça humilde. Jamais tocou-a de modo impuro. Trabalha duro todo dia, a mão calejada e acostumada com farpas de madeira. Sonha em constituir família. Mas certo dia, descobre que a noiva está grávida - ela garante que é virgem, e conta-lhe a história mais estranha que já ouviu. Não sabe o que fazer. Além de acreditar, terá de arcar com a discriminação da família e da sociedade inteira. Planeja abandonar tudo e fugir. Mas um sonho - que acredita ser de Deus - fá-lo mudar de ideia. Fica, e assume tudo em silêncio.

O velho maluco é Abraão, pai de muitos povos. O rapaz sob pressão é o grande Rei Davi. O jovem trabalhador é José, pai de Jesus. Homens de fé no Deus do impossível, brevemente aqui retratados em sua graduação.

Crer contra a esperança - difícil posição, complexa situação, mas apesar de tudo, a mais sábia decisão! Ver o tempo passar sem que nada aconteça e depois usar as últimas forças não para afastar-se resignado, mas para agarrar-se ainda mais à Palavra de promessa e ali continuar, esperando sem calendários.

Muitos homens e mulheres arriscaram seriamente os rumos de suas vidas por acreditarem nas promessas e sonhos de Deus. Abraão, Davi e José acreditaram...

Creio ser chegada nossa vez.

"As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis para Deus" (Lc. 18.27)